Diferenças entre gerações
Hoje tem mais uma prova de que estou ficando velho: Vou comparar minha adolescência com a dos "meninos" de hoje. Na verdade, nem tem tanto tempo assim, afinal são apenas 10 anos que nos separam, mas as diferenças são enormes.
Há 10 anos atrás, eu estava no alto dos meus treze anos. Naquela época, só tínhamos poucas opções de badalação, sendo que a principal delas sem dúvida eram as festinhas americanas com os colegas de escola. O início era sempre por volta das 19:30, e os meninos levavam os refrigerantes, as meninas levavam os salgadinhos. Antes de conseguir a autorização para a festa, os pais ligavam para os pais do anfitrião para ter certeza do que se tratava, e só então poderíamos ir. O horário de fim, os mais jovens certamente ficarão assustados: 22:00 para as meninas e 22:30 para os meninos. E não podemos esquecer do ponto alto da festa, a famosa dança da vassoura. Nessas festinhas rolava muita azaração, mas no fim ninguém ficava com ninguém.
As outras opções eram a domingueira KGB do Libanês, que terminava à meia noite, ou conseguir entrar em algum show, cuja censura era 14 anos. Essa sem dúvida era a opção mais emocionante, já que a tensão para conseguir passar pela segurança era enorme. O show era o que menos importava. Grande parte da emoção estava na fila para entrar e burlar a segurança.
Os meninos de hoje já possuem muito mais malandragem, pois enquanto na minha época os meninos no máximo conseguiam dançar abraçados com as meninas, os moleques de hoje já estão até produzindo filhos. Eles saem de casa no horário em que nós costumávamos sair. Isso pra não falar na quantidade de moleques que fumam e bebem que nem umas esponjas. Além disso, muitas vezes os pais não fazem a menor idéia de onde o filho está. Uma coisa que ameniza um pouco é que hoje os adolescentes possuem telefone celular, coisa que não existia na nossa época.
As músicas que as crianças ouvem hoje em dia são as mesmas que os adultos costumam ouvir, o que já dá pra deduzir que as coisas não estão muito boas.. Funk do Jonatan (aquele que tem 8 anos e já vai pegar um filé com popozão), as meninas que dançam na boquinha da garrafa em plena cadeia nacional, enquanto os idiotas dos pais estão todos orgulhosos vendo esta cena deprimente ou então cantam Kelly Key e suas letras que ensinam como devem tratar os homens. Os pais devem se sentir aliviados quando os meninos ouvem Sandy e Júnior. Na nossa infância, tínhamos direito a Vinícius de Moraes (Arca de Noé 1 e 2, Casa dos Brinquedos - esses eu tenho até hoje!), Balão Mágico, Trenzinho da Alegria. Comparando com o que os moleques ouvem hoje, eu sinto saudade até mesmo da Xuxa.
Com certeza os pais de hoje são bem mais liberais do que na minha época, o que se não for feito na dose certa, pode levar a um certo descontrole sobre os filhos. Uma boa prova disto é a falta de respeito que alguns filhos demonstram sem que os pais esboçem qualquer tipo de repreensão. Parte disso é culpa desse bando de psicólogo que prega que os pais não devem reprimir os filhos. Nunca vi balela tão grande. Certamente uns tapas ajudam bastante na educação, se aplicados na dose correta. E única vez que eu inventei de xingar minha mãe, eu levei um tapa na boca que nunca mais sequer pensei em fazer isso de novo. Hoje em dia, as crianças falam cada atrocidade dos pais, que eu não sei se tenho vontade de acertar uma no guri, ou nos pais que não fazem nada.
Até mesmo em virtude desta pasmaceira dos pais, eu tenho a impressão que o problema dos dias de hoje não é culpa das crianças e adolescentes, mas sim dos pais que estão cada vez mais negligentes com os filhos. É mais fácil matricular os filhos em um monte de curso, do que abrir mão de um tempo em sua agenda para educar o próprio filho.
As coisas estão desse jeito não é à toa. Estamos colhendo apenas aquilo que estamos plantando, mas o que mais me assusta é pensar como estarão as coisas daqui uns 10 anos. Esse futuro me parece bem sombrio..

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