Arquivo de Pensamentos

Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez. (Jean Cocteau)

Google Groups Receba os posts por email
Email:
   

terça-feira, junho 08, 2004

O 4o poder

Ontem terminei de assistir o documentário "Tiros em Columbine", do Michael Moore. O documentário trata do episódio em que dois adolescentes mataram vários alunos (14 ou 19, agora eu não me lembro bem do número) e dois professores em uma escola americana e em seguida se mataram.

Em determinado momento do documentário, o "Mike" especula sobre a origem de tanta violência com armas de fogo nos EUA, que possui o índice mais alto deste tipo de incidente entre todas as nações industrializadas do mundo. Se for verificar a história de guerras, existem outras nações, como a Alemanha, com um passado tão recheado de violência como os EUA. A quantidade de armas existentes também não é o motivo, uma vez que o vizinho Canadá possui 7 milhões de armas em 10 milhões de residências. Uma possível conclusão a respeito disto, é a influência da imprensa, uma vez que os noticiários americanos dão muita ênfase a este tipo de "notícia".

É inegável a influência da mídia sobre a maioria da população, basta ver a quantidade de pessoas que apesar de odiar o Galvão Bueno, no dia seguinte está repetindo seus comentários sobre os mais diversos esportes que o sujeito costuma narrar. O mesmo vale para comentários políticos e econômicos, ou mesmo a influência de pesquisas eleitorais às vésperas de eleições.

Considerando esta influência, fica a pergunta no ar: Será que não estamos enfrentando os mesmos problemas em nosso país? Não é incrível a proliferação destes programas que fazem o sangue pingar da TV? Até a Rede Globo tem um programa neste sentido - Linha Direta - que é o menos apelativo de todos, mas também só exibe desgraça. Se esses programas não fizessem sucesso, certamente não teriam se espalhado como uma praga entre tantas redes de TV. É um tal de fulano que matou a ex-esposa, o filho, a sogra e depois se matou. Um outro que matou um sujeito no boteco por causa de cinquenta centavos, ou então um motorista bêbado que matou trocentas pessoas numa calçada. Se esta teoria o Michael Moore estiver correta, o futuro da nossa nação é muito sombrio.

Mas a TV brasileira não se resume apenas a programas que jorram sangue pela telinha. Existem também os programas de barraco, os Ratinhos da vida, as Márcias e tantos outros que vivem de explorar o drama de pessoas pouco instruídas que passam por momentos de dificuldade. Se realmente existe alguma vontade de ajudar alguém nesses programas, pq tanto interesse em estender um drama à medida que o IBOPE vai aumentando? E pq tanta gente assiste a esses programas? Na verdade, ninguém nunca assiste este tipo de programa, o que acontece é que "eu estava passando pelos canais quando eu vi que..." ou então "A TV estava ligada e eu estava indo na cozinha beber água.." ou ainda "ah, tem gente lá em casa que gosta, e eu acabo ouvindo o que está acontecendo". Ninguém nunca tem coragem de assumir que assiste este tipo de coisa.

Isso pra não falar de programas como Faustão, Gugu, Raul Gil e outros que exploram ainda a sexualidade no meio da tarde dos fins de semana, e outras baixarias. Os fins de semana também contam com os programas humorísticos mais sem graça e apelativos da TV. Desde quando humor é exibir meia dúzia de mulher praticamente sem roupa e dois ou três pseudo-humoristas contando as piadas mais velhas da face da terra?

Enquanto isto, sujeitos como Serginho Groismann ficam limitados a um horário na madrugada de domingo, o Marcelo Tas continua na TV Cultura, que é excelente, mas não tem tanta audiência como os outros canais. Estes são dois dos maiores gênios da TV brasileira na atualidade. São comunicadores natos, possuem um carisma incrível com os jovens, porém são deixados de lado, em horários ou redes de TV alternativas.

A julgar pela programação do 4o poder, nosso futuro não é muito promissor.. Acho que seremos eternamente o país do futuro, nossa hora nunca vai chegar.

0 pensamentos a respeito:

Postar um comentário

<< Página inicial