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Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez. (Jean Cocteau)

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segunda-feira, junho 14, 2004

Exército nas ruas

A última moda dos governos estaduais é solicitar apoio do exército para controlar a segurança nas cidades. Começou com o Rio de Janeiro, e seu caos que não tem fim. Depois Minas Gerais e agora o Piauí. Estes dois últimos, a solicitação foi feita devido à greve das polícias militar e civil.

Algumas coisas me preocupam nessa história:

1. O exército não é treinado para este tipo de operação. Posso até estar equivocado, uma vez que não servi ao exército (sem piadas dos tipo "nem pra isso vc serve, hein.." por favor), mas pelas histórias que ouço, o objetivo de um soldado do exército, é defender a nação contra invasores inimigos, e sempre que necessário (se bobear, até sempre que possível) matar os inimigos. Não que eu veja algum problema em matar algum delinquente que foi pego em flagrante, muito pelo contrário, mas fico imaginando a situação do infeliz do soldado que deu o tiro. Afinal, certamente não vai sobrar para os superiores dele, nem para o incompetente do governador que precisou solicitar ajuda do exército. Nestas situações a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco.

2. A incompetência dos governantes que não são capazes de manter os serviços básicos da população em um nível aceitável. A incompetência não necessariamente deve ser atribuída ao atual governante, já que esta situação se arrasta há anos, nas diferentes esferas da administração pública. Cada vez se pede mais verbas, além das ordinariamente concedidas pelos governos, mas apesar disso, o rombo é cada vez maior. No caso específico dos policiais, os indivíduos recebem um salário de fome, não possuem condições adequadas de trabalho, estão em número insuficiente para conter a escalada da violência. Não é de se espantar que com este quadro, uma meia dúzia se converta à banda pobre. Apesar de que nada justifica este tipo de ação. A grande pergunta é: para onde vão essas verbas concedidas?

3. Sindicatos fora da realidade, pedindo reajustes comletamente absurdos. Conheço pelo menos uma meia dúzia que tem a cara de pau de pedir reajustes acima de 100%. bom, vou economizar meus "elogios" aos sindicatos, limitando a chamá-los de alienados.

4. O próprio exército não está bem preparado. Quem nunca assistiu uma reportagem sobre os problemas financeiros que o exército brasileiro tem enfrentado? Dispensa de recrutas, diminuição das vagas e/ou carga horária. Então será que esses caras são mesmo os salvadores da pátria?

Voltando ao primeiro ponto, qual será a reação de todos depois que um soldado matar algum inocente? A história recente nos mostra que todos vão sair em defesa do marginal, deixando o soldado completamente vendido na história. Talvez o caso mais recente seja daquele sujeito que sequestrou um ônibus no Rio, cuja história virou até filme.

Falar em direito humanos num caso desse me parece piada. Em casos de flagrante, não tenho muita pena desses caras não. Se puder resolver sem matar o indivíduo, melhor que seja assim. Mas usar o cara para dar o bom exemplo não chega a ser uma idéia muito ruim, afinal, se o cara foi pego em flagrante, a possibilidade de cometer algum equívoco é praticamente nula né? Quando algum policial mata algum delinquente, todos se comovem e gera toda uma repercursão. Mas quando um marginal mata um policial, aparece apenas uma nota num canto da página policial dos jornais locais, e não gera nenhum tipo de comoção nacional.

Estou muito curioso sobre a reação destes líderes que estão solicitando o exército nas ruas quando acontecer algum acidente que fira ou mesmo mate algum civil inocente. Vamos ver até onde vai este modismo do exército nas ruas.

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