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Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez. (Jean Cocteau)

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segunda-feira, junho 21, 2004

Teoria Econômica

Antes que comecem a se desinteressar por conta do título, tentem ler pelo menos um pouco. O assunto não agrada a todos, mas a hipótese é no mínimo interessante.

Minha tese de baseia em duas questões:

1. Muita gente (de esquerda) defende que a dívida externa não deve ser paga, para que possamos investir nos problemas internos, muitas vezes até usando o argumento de que a dívida é impagável. Realmente, a situação anda bem delicada.. Toda semana os noticiários informam o superávit da balança comercial, o valor acumulado no mês e no ano, e qual o percentual do PIB que está "superavitário". O problema é que esse superávit anunciado é o primário, que despreza os juros nesta conta. Apesar da conta ter terminado acima do acordado com o FMI no último ano, se aplicado o valor dos juros sobre nossa dívida, a dívida total aumentou em quase 8 bilhões de dólares.. Isso mesmo, apesar de todo o esforço para poupar, quando tentamos pagar os juros, vimos que na verdade a dívida aumentou. Essa situação deve ser conhecida de muitos de nós, que estamos nesses dias de aperto.
Muitos economistas acreditam que um afrouxo nessa busca incessante por superávit daria condições de maiores investimentos nas questões sociais. Então como sair dessa questão? Pagar a dívida para manter a dignidade externa e futuramente conseguir resolver os problemas internos, ou dar um calote na dívida externa para resolver os problemas internos, correndo o risco de não conseguir resolver os problemas e ainda ficar sem crédito?

2. Muito se fala sobre os efeitos da globalização, que está diminuindo a distância entre as pessoas, e tornando as empresas mais próximas de outros mercados. O medo que as grandes empresas das grandes nações industrializadas acabe por destruir as pequenas empresas locais de países menos desenvolvidos, como o Brasil. As empresas com maiores possibilidades, podem entrar no mercado oferecendo uma concorrência predatória, para levar os concorrentes à falência, para em seguida ter todo o mercado.
Para evitar este tipo de ação, uma das práticas mais antigas é a cobrança de impostos para que os produtos importados entrem no país. Porém com a criação dos grandes blocos econômicos, a tendência é que estes impostos desapareçam, o que faria com que o preço dos produtos importados se aproximasse dos produtos locais, e oferencendo maior qualidade. Como as nações em desenvolvimento irão se comportar dentro desta nova realidade?

De acordo com as teorias tradicionais, com o calote da dívida, todas as demais nações suspenderiam suas negociações com o país, mas por outro lado, a abertura das fronteiras iriam atrair diversas empresas estrangeiras. E aí? O que vai falar mais alto num caso desses? Com certeza vai ter muita gente de olho grande num mercado do tamanho do brasileiro sem qualquer tipo de restrição, então duvido muito que qualquer tipo de bloqueio econômico vá muito adiante. De mais a mais, quem nunca precisou anistiar uma dívida alheia, seja por bem, ou seja por mal?

Como eu gostei dessa história de terminar post com letra de música, aí vai um Plano B, para a remota possibilidade deste plano principal não dar muito certo:

Aluga-se
(Raul Seixas)

A solução pro nosso povo eu vou dar

Negócio bom assim ninguém nunca viu

Tá tudo pronto aqui

É só vir pegar

A solução é alugar o Brasil!

Nós não vamos pagar nada

Nós não vamos pagar nada

É tudo free, tá na hora

Agora é free, vamo embora

Dar lugar pros gringo entrar

Esse imóvel tá prá alugar



Os estrangeiros, eu sei que eles vão gostar

Tem o Atlântico, tem vista pro mar

A Amazônia é o jardim do quintal

E o dólar deles paga o nosso mingau

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