Arquivo de Pensamentos

Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez. (Jean Cocteau)

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segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Aborto, Controle de Natalidade e Pobreza

A discussão do aborto parece ter voltado à cena nacional após a eleição do Sr. Severino Cavalcanti para a Presidência da Câmara dos Deputados. Este digno senhor se coloca de maneira taxativa contra o aborto, e vários outros pontos, que o coloca numa posição ultraconservadora.

Certamente é um assunto polêmico, onde os dois lados costumam colocar argumentos bem convincentes. Aqueles que se colocam contra argumentam que isto poderá levar a uma menor preocupação, principalmente dos jovens, quanto à sua conduta sexual. Afinal, se por acaso a infeliz engravidar, torna-se muito mais simples dar um jeito no erro. Existem ainda aqueles que consideram que aquele serzinho dentro da barriga da mãe já é um ser vivo, e que abortá-lo seria dar cabo a uma vida, sendo portanto uma forma de assassinato.

Realmente estes argumentos possuem lá seu fundo de verdade. Mas sendo honestos, quem quiser fazer um aborto, vai fazê-lo de qualquer forma. Seja em clínicas clandestinas, seja tomando qualquer coisa para matar a criança (e algumas vezes até mesmo a própria mãe), ou no caso dos mais ricos, embarcar no "Navio da Morte", que busca as gestantes arrependidas nos portos da Europa, vão para regiões de águas internacionais, para que lá possam praticar o aborto de forma impune.

Na prática, aborto é igual consumo de drogas. Hoje em dia, quem quer fazer, faz. Independente da legalidade do ato. Coibir a prática não é uma forma de conscientizar ninguém.

Por outro lado, a liberação irá reduzir os riscos daqueles que desejam fazê-lo, já que poderão realizar o aborto com o amparo de profissionais devidamente preparados, em locais adequados para a prática. Outra grande vantagem é dar à mulher a chance de ter o controle sobre seu corpo, e sua vontade atendida. Afinal, será que vale a pena levar adiante uma gravidez que a própria mãe rejeita? Qual será o futuro desta criança?

Mas o ponto que mais me chama a atenção, é a possibilidade de redução da pobreza. Todos sabemos que quem tem muitos filhos atualmente são as mulheres pobres. As mães de classe média para cima, costumam ter no máximo dois filhos, enquanto as mães muito pobres costumam ter tantos filhos quanto conseguirem, já que não possuem acesso à informação, e quando conseguem ter acesso a isto, não conseguem ter acesso aos métodos contraceptivos.

E se as coisas continuarem desta maneira a pobreza no Brasil vai aumentando exponencialmente, já que um casal de "ricos" vai gerar apenas um ou dois descendentes, enquanto um casal de pobres irá gerar quatro, cinco, seis, e como conheço em alguns casos, sete filhos! Se aplicarmos isto mais uma vez, os dois filhos ricos gerarão dois ou quatro novos ricos, enquanto os 7 filhos pobres terão gerado quase 50 novos pobres! (7 filhos para cada um dos 7). Que tal tentar realizar este exercício considerando aí 3 ou 4 gerações, para que possamos imaginar o Brasil daqui 75 ou 100 anos? E sendo honestos, a possibilidade destes pobres se tornar rica, é cada vez menor, principalmente se considerarmos que a educação para os pobres no Brasil é ridícula.

Por isto eu acredito que dar aos pobres o acesso ao aborto é uma forma paleativa para a redução da pobreza. Percebam: forma paleativa. Não podemos nos basear apenas nesta ação para mudar a realidade do país. Sem investimento em educação, não há como mudar o país, mas isto é assunto para outro post.

Indo além da prática do aborto, o planejamento familiar também é indispensável. E em alguns casos, ele deveria ser realizado pelo próprio Estado, e não mais pela família. Se uma família com menos renda inferior a 5 salários mínimos chegou ao terceiro filho, não deixe essa mulher sair do hospital sem torná-la estéril. Aproveite que a mulher já está ali no hospital e já corte o mal pela raiz. E para as mulheres que quiserem realizar a operação voluntariamente, serão todas elas aceitas.

Posso parecer incoerente, já que inicialmente defendi que a mulher precisa ter sua vontade respeitada em querer realizar o aborto e agora quero tirar a liberdade de querer decidir quantos filhos ela terá. Aí entramos na parte do direito em que a coletividade tem prioridade em relação a individualidade. Uma família com mais filhos que ela é capaz de criar irá implicar em gastos para o Estado. Se uma família não tem como comprovar condições para criar seus filhos, então o Estado deve interferir nesta situação.

Vinícius Ronconi - Pela legalização do Aborto

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Vale a pena tanto sofrimento?

Neste fim de semana vi numa livraria lá perto de casa um livro que me chamou a atenção: "Salvando Vidas", ou algo parecido com isto. O livro na realidade é uma defesa à eutanásia, escrito por um sujeito com conhecimento de causa.

Lendo as orelhas do livro, vi que o sujeito é pai de um menino de 17 anos de idade, que durante um aniversário em sua casa foi pular na piscina, bateu com a cabeça no fundo e foi parar no hospital. O menino passaria o resto da sua vida como um vegetal. Não teria movimentos e pelo que entendi, não seria capaz nem mesmo se se manter acordado sem ajuda de aparelhos. O menino passou dez dias no hospital, lutando entre a vida e a morte, e finalmente a Sra. Morte venceu.

O livro descreve a angústia deste pai durante os dez dias, e suas dúvidas quanto a manter os aparelhos ligados ou não, se valeria a pena continuar lutando ou simplesmente aceitar a realidade. Não consegui ler se o sujeito desligou os equipamentos para que o filho pudesse descansar ou se a morte foi mesmo inevitável.

Seja lá como foi o fim desta história, acho o questionamento do pai válido. Até que ponto vale a pena se valer de tantos recursos em determinadas situações? Será que não estamos apenas aumentando o sofrimento do enfermo e de sua família? Não seria isto um masoquismo sem tamanho, disfarçado das mais diversas roupagens de amor e bondade? E muitas vezes: Será que isto não se passa de um tremendo egoísmo daqueles que estão saudáveis, querendo evitar a morte de um ente, mesmo que isto signifique mais dor para o moribundo? Um egoísmo que não nos deixa pensar no sofrimento de um doente, simplesmente para que não tenhamos que encarar uma realidade?

Pude observar de perto duas pessoas que faleceram devido ao câncer, e vi como a fase terminal é dolorosa. E irreversível, pelo menos com nossos conhecimentos da medicina. Em alguns momentos, uma destas pessoas chegou a pedir que o medicamento que lhe era dado fosse interrompido, para que ela pudesse descansar logo de uma vez. Mas os médicos e parentes insistem em tentar reverter algo que não somos capazes de resolver.

Até que ponto estamos de fato pensando no doente? Se isto fosse realidade, o estudo de células tronco e clonagem não estaria proibido até os dias atuais. Por que se negar a desenvolver algo que possivelmente ajudará a encontrar a solução para algumas das piores doenças que conhecemos?

Se querer estudar célular troncos e clonar seres humanos é querer brincar de ser Deus, será que ficar prolongando a vida de uma pessoa que sofre de uma doença irreversível, mesmo que isso lhe cause mais sofrimento do que a morte, não é brincar de ser Deus da mesma maneira? E o pior, um deus que não é o deus que a maioria de nós acredita, seja ele qual for. Pois o Deus das principais religiões no mundo não são deuses sádicos, que se divertem enquanto observam os doentes gemendo de dor enquando lhes é dado um medicamento para que seus dias de agonia se prolonguem.

Temos que largar o egoísmo de lado, e deixar de usar pesos e medidas diferentes de acordo com a conveniência. Se é para tentar salvar vidas, além de mantermos aparelhos ligados, devemos também apoiar pesquisas e desenvolvimento genético / tecnológico.

Outro fator importante é que, sempre que possível, a palavra final seja do próprio enfermo. Por via das dúvidas, caso isto realmente venha a acontecer algum dia, já deixo registrada minha opinião: Se minha situação for irreversível, podem mandar desligar os aparelhos que me deixam vivo, se é que podemos assim dizer. Doem meus órgãos, cremem o que sobrar para não ficar gastando espaço, que é algo cada dia mais caro e escasso e depois disso já não me importa muito. Façam o que quiserem com as cinzas.

Vinicius Ronconi - Favorável à eutanásia

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Ninguém se importa com a educação (ou "ençino herrado")

Vou aproveitar hoje uma discussão que tivemos ontem durante a aula de Filosofia: Quais são os problemas da educação brasileira. Muitas teorias são levantadas a respeito, como o problema da má remuneração dos professores, talvez a falta da merenda escolar ou livros didáticos nas escolas públicas. Na realidade acho que o problema é muito mais grave do que isto. E o problema não é apenas do governo e educadores. Talvez ele seja a parte com menor culpa nesta história toda.

Não vou me deter muito nos problemas secundários. Para ser bem direto, talvez até simplista em demasia, se problema de remuneração de professores, merenda ou livros resolvesse alguma coisa, o ensino particular formaria milhares de gênios e pensadores por ano, mas sabemos que não é bem assim. Mesmo em escolas particulares o problema se repete. Os alunos não possuem iniciativa, não são incentivados a pensar. Basta fazer a mesma pergunta de uma forma diferente para ver diversas caras de espanto dentro de uma sala de aula.

Este sim é o maior problema na nossa educação. Nós somos ensinados a simplesmente ouvir o que o professor diz, decorar uma meia dúzia de coisas para colocar num pedaço de papel que insistem em chamar de prova. Prova de que? Só se for da capacidade de memorização dos alunos. Já nos primeiros anos as crianças são reprimidas para se adaptar ao sistema. Seus questionamentos são ignorados, elas precisam calar a boca para ouvir os professores falando, e para se dar bem, precisam decorar a tabuada. As coisas não precisam fazer sentido, basta que sejam memorizadas e tudo está resolvido.

O tempo vai passando e as coisas permanecem desta forma. O Vestibular talvez seja o ponto máximo, o auge, o clímax da "decoreba". Estamos todos sentados nas carteiras, enquanto os palhaços, ou melhor, professores, precisam inventar as mais diversas formas para que os alunos consigam decorar a matéria. Mesmo que daqui 6 meses eles nunca mais consigam se lembrar disto. O importante é que tudo esteja na cabeça naquelas poucas horas de prova.

Mais tarde, entramos na universidade, e a realidade não é muito diferente. Continuamos com as atividades onde as respostas esperadas são exatamente aquelas que estão no livro. Não existe espaço para ser diferente. Todos temos que pensar igual, agir da mesma forma, buscar as mesmas soluções. E isto eu posso falar com certo conhecimento de causa, já que já enfrentei a realidade de uma faculdade particular e hoje sofro com os mesmos problemas na Universidade Federal.

E nem dá para colocar toda a culpa nos professores. Muitas vezes eles mesmo não conseguem implantar propostas diferentes de ensino, por mais que se esforcem. Os caras precisam cumprir prazos absurdos para corrigir provas, fechar pauta e entregar resultados. Posso afirmar isto com segurança, já que a Talita é professora e vejo o sufoco que ela passa. Com isto, eles precisam cumprir a formalidade de alguma avaliação, e o precisam fazer de forma que consigam chegar ao resultado sem muito esforço. Qual é a melhor solução? Questões objetivas! O aluno marca um "X" na prova, e o professor só precisa passar o olho por ali. Em menos de um minuto uma prova inteira é corrigida! Que maravilha! (E quanta ironia de minha parte!)

Não deixar que os alunos pensem é a solução mais cômoda para todos. O esforço do aluno é muito menor, do professor idem, e para o governo, as estatísticas são infladas, o que gera mais votos.

Mas não vamos nos prender no governo e professores, já que, no meu ponto de vista, o maior problema não está aí. Se você está lendo este texto, é pq muito provavelmente já passou por uma escola. Seja bem honesto ao responder esta pergunta: Sua maior preocupação era em aprender a matéria, ou simplesmente conseguir a nota suficiente para passar? Fazendo uma auto-crítica, posso afirmar que em muitas oportunidades meu objetivo foi simplesmente conseguir aquela tão desejada nota. Pouco importava o que aprendi de fato, o que importava era que eu tive a nota suficiente para passar. Alguns ainda se gabavam por conseguir decorar mais que os outros, e consequentemente tirar uma nota maior.

E neste sentido o problema começa desde cedo. Quantos são os pais que sentam-se com seus filhos regularmente para acompanhar o desempenho escolar? Cada um pode utilizar a desculpa que quiser, mas a realidade é que os pais também só se preocupam com a nota. Principalmente aqueles cujos filhos estudam em escolas particulares, já que qualquer problema de desempenho pode significar o pagamento de um ano de escola jogado no lixo. Só para contar um fato que ocorreu com a Talita para exemplificar:

Uma mãe foi buscar o resultado da filha, que tinha ficado reprovada por nota insuficiente. A tal mãe deu o maior xilique, achando aquilo um absurdo, que a escola deveria ter avisado. A Talita informou que a escola havia mandado o boletim, e que a mãe inclusive havia assinado. De fato a mãe tinha conhecimento que a nota da menina estava baixa, mas a escola não havia deixado claro que isto poderia reprovar a filha dela.

Minha interpretação para este fato: A mãe não se preocupa se a filha está aprendendo de verdade ou não. Ela acha que está cumprindo seu papel ao matricular a filhinha de 9 ou 10 anos no curso de inglês e pronto. A nota está baixa? Não tem problema. A filha vai repetir de ano? Calma aí! Isto vai pesar no meu bolso! Isso é um absurdo!

A criança cresce com a visão de que o importante não é aprender, mas tirar a nota suficiente. À medida que esta criança cresce, isto vai se enraizando nela, até virar uma cultura. Isso continua no ensino médio, isso continua na faculdade e o pior: continua em sua vida profissional. Ou será que você, que aguentou este texto até aqui, não conhece ninguém que não tem qualquer iniciativa profissional? Só faz aquilo que o chefe manda?

Este é o maior problema da nossa educação. Nossa cultura não premia aqueles que resolvem pensar ou questionar. O que interessa é conseguir o mínimo para conseguir passar de ano. Isto é cômodo para alunos, já que decorar requer muito menos esforço que aprender. É comodo para pais, já que sentar em casa com seus filhos e lhes ensinar como resolver os problemas irá exigir muito mais esforço do que olhar um boletim a cada dois meses e eventualmente aplicar algum castigo. É como para professores, já que alunos questionadores iriam exigir uma preparação muito maior por parte deles. É comodo para o governo, que não precisa modificar a estrutura atual.

Como podemos ver, em todo o sistema não há nenhuma figura sequer que precise pensar. Uns fingem que ensinam, outros fingem que aprendem, outros fingem que acompanham as coisas de perto e possuem controla da situação. Todos se sentem felizes, todos se enganam e todos saem perdendo.

E o pior é que este é o futuro do país.

Vinícius Ronconi - Se rebelando contra o sistema de ensino

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo

Adeus ano velho,
feliz ano novo,
que tudo se realize
no ano que vai nascer....

Desejo a todos neste ano que se inicia um ótimo ano novo, onde possamos batalhar por tudo aquilo que acreditamos, sem qualquer tipo de preconceito ou intolerância. Que possamos deixar a preguiça de lado e trabalhar para que as propostas que sempre fazemos a cada início de ano possam se realizar, não através do acaso, mas a partir de nossos esforços.

E que mesmo os erros que venhamos a cometer possam servir para nos dar experiência nas próximas lutas. Pois como já diz a sabedoria popular:

"Até um pé na bunda nos faz dar um passo para frente."

Estes são meus sinceros votos para o ano que se inicia. E se alguém me acha louco por fazer este post no meio de fevereiro, responda sinceramente: Você tem alguma dúvida de que o ano no Brasil só começa na segunda feira depois do carnaval?

Vinicius Ronconi - que apesar do post, detesta essas felicitações de início de ano e principalmente, as promessas feitas nesta época.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Clones & Células Tronco

Uma notícia que passou quase desapercebida, pelo menos por aqui, durante o carnaval foi a permissão dada ao criador da ovelha clonada "Dolly" para a clonagem de embriões humanos. Pelo pouco que li, a autorização permite apenas a clonagem de embriões, e os mesmos devem ser destruídos após um determinado tempo, sem que cheguem à nascer.

Sou favorável a estes avanços da ciência, tanto com a clonagem de humanos quanto com o uso de células tronco. Muitos especialistas acreditam que através do desenvolvimento científico nestas áreas é que surgirão a cura de algumas doenças irreversíveis atualmente. Se é assim, então pq não levarmos adiante estas pesquisas?

Tudo bem que atualmente o código de ética da medicina (ou algo semelhante a isto) proíbe o uso de humanos em experiências, mas estas regras precisam ser revistas, como qualquer outra regra já criada pela sociedade. Além disto, muitas pessoas que sofrem destas doenças seriam voluntários, de forma que pudessem ajudar a outras pessoas. Talvez o caso mais conhecido seja do Christopher Reeve, que era o ator do Super Homem. O cara fez todo tipo de campanha para evoluir a pesquisa das células tronco, que seriam sua única possibilidade de voltar a ter movimentos um dia.

Mas certamente a maior polêmica está em torno dos clones, principalmente quando se coloca a religião no meio. Muitos perguntam se um clone é uma criação divina. Para mim é óbvio que sim. Afinal, se Deus concedeu ao homem a capacidade de desenvolver estas pesquisas/habilidades para o bem da humanidade, então esta criação é divina. Achar que um clone não é "filho de Deus" é acreditar que todas as crianças que nasceram a partir de qualquer método que precisou de uma "mãozinha da ciência", como inseminação artificial, ou mesmo com a ajuda de qqer outro medicamento mais simples, não são "filhas de Deus".

Não vivenciei a época em que as primeiras evoluções neste sentido surgiram, mas acredito que devem ter gerado o mesmo tipo de polêmica que os clones geram atualmente, então porque tanto estardalhaço? De tempos em tempos estas coisas acontecem, e poucos anos depois, todos tratam isto com a maior naturalidade.

A proibição destas pesquisas é apenas a demonstração de egoísmo da maioria que se considera "normal" e "saudável". Já que eles não enfrentam o problema, não há pq mudar a estrutura da sociedade. Mas será que uma enquete com pessoas que sofrem dos males que poderiam ser curadas com estes avanços daria o mesmo resultado? Acredito que boa parte destas pessoas, que serão os reais beneficiados, serão favoráveis a estes avanços, muitos inclusive se colocaria como voluntários.

O argumento final usado pelos mais conservadores são os possíveis males que este desenvolvimento poderá trazer. Alguns mais consipiradores já pensam em exércitos de clones, ou uma tentativa de se aprimorar a raça humana, numa evolução do nazismo. Mas se formos pensar nos males que uma coisa pode nos trazer, é melhor que deixemos tudo de lado e voltemos para as cavernas! hmmmm... Se bem que indo para as cavernas ainda assim poderão surgir outros males. Pensando bem, talvez seja melhor que todos se matem de uma vez para evitar que outras pessoas possam nos fazer mal.

Vinicius Ronconi - Voluntário nos estudos de células tronco e clonagem

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

O papa é pop

Talvez uma das maiores injustiças cometidas até hoje é não terem concedido um Prêmio Nobel da Paz para esse Papa João Paulo II.. Gosto muito dele, pois é um sujeito que sempre se posiciona a respeito de temas que dizem respeito à população mundial. Se posiciona contra guerras, se reúne com líderes não cristãos numa demonstração de que todos podem conviver harmonicamente. Tá certo que dá lá as bolas-fora de vez enquando, como o posicionamento contra o uso de anti-concepcionais. Mas não há como negar que no todo ele é um cara muito bacana. Ah, gostei também quando ele foi claro em dizer que o domingo não é um dia para os esportes, mas para se dedicar à vida espiritual. Foi contra todos, num item que muitos líderes evangélicos (sérios) se omitem.

Muitos podem alegar que a função do Papa, entre outras coisas, é justamente esta, de promover a paz mundial. Até concordo que seria incoerente uma figura religiosa se posicionar a favor de guerras. Mas e daí? Quantos papas na história já declararam tantas "guerras santas", ou mesmo se omitiram publicamente a respeito. Imaginem se esta "guerra contra o terror" tivesse o aval do papa? Ou se um dos membros da KKK estivesse lá, ou ainda um padre irlandês? As coisas seriam muito piores do que já o são. Talvez não tivesse parado no Iraque, já teria chegado a outros lugares como Irã, Coréia do Norte, Líbia, e por que não, no Brasil? Sim! Aqui no Brasil! Afinal temos tecnologia nuclear, temos submarinos, temos os pulmões do mundo que não estão sendo bem cuidados. E se nenhuma destas desculpas colasse, provavelmente surgiria alguma outra para que no final das contas, a Petrobrás se transformasse na PetroUSA.

Mas voltando à proposta de entregar o Nobel ao Papa.. Se o Mr. Bush chegou a ser indicado para o prêmio, então o Papa já deveria ter sido condecorado há muito tempo! E que me desculpe aquela iraniana que tanto tem ajudado seus compatriotas (especialmente suas compatriotas), mas o impacto do trabalho do Papa tem um alcance muito maior, portanto nada mais justo do que entregar esse prêmio para ele.

Só para deixar registrado: Minha admiração não é pelo cargo, mas pela pessoa. ESTE papa, o Karol Wojtyla, é um sujeito fantástico. É claro que só tomamos conhecimento dele devido ao cargo que ele ocupa. Não me venham com essa história de infalibilidade papal..

E uma coisa importante: O tempo pode estar se esgotando. O prêmio só pode ser concedido a pessoas vivas. Não que eu esteja "secando" o papa por ele ter sido internado, mas é de conhecimento de todos que a saúde dele não anda boa já tem um bom tempo, então cada oportunidade pode ser a última...

Bom, já que falamos tanto no prêmio, vou terminar por aqui passando o link para a relação dos ganhadores do prêmio: http://www.nobel.no/eng_lau_list.html

Vinicius Ronconi - Fã de carteirinha do velhinho polonês.