Revisão do Pacto Federativo
Está em discussão na Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo a emancipação do Distrito de Santa Cruz, atualmente pertencente ao município de Aracruz. Existem outros processos em andamento, para tornar independentes outros distritos: O de Pedra Azul e o de Guriri, que estão ligados, respectivamente, aos municípios de Domingos Martins e São Mateus.
Não há como negar que estes distritos são suficientemente conhecidos pelos capixabas, mas, em contrapartida, uma pergunta precisa ser feita: Estes distritos teriam condições de se manter autonomamente ou seriam apenas novos municípios completamente dependentes do repasse de verbas federais?
No caso específico de Santa Cruz, tenho a impressão de que esta não seria uma boa saída, já que o município de Aracruz é um dos mais ricos do estado, em função da existência da Aracruz Celulose no município. No caso de uma divisão, um único município seria beneficiado com os impostos e benfeitorias geradas pela referida organização.
Existem outros movimentos no Brasil para a criação de novos estados: o Maranhão do Sul e uma divisão do estado do Mato Grosso (ou Mato Grosso do Sul – minha memória está me traindo neste momento).
Fico me perguntando qual é o real motivo pelo desejo em criar novos estados ou municípios no Brasil, já que a maioria deles reclama que não possui verbas suficientes para se manter financeiramente. Acredito que o Brasil necessite na realidade de uma revisão do seu pacto federativo, de forma que fosse realizada uma reorganização e uma redivisão do território brasileiro.
Alguns estados poderiam muito bem desaparecer do mapa, como é o exemplo do meu próprio estado. Outros também poderiam ser facilmente ser incorporados aos seus vizinhos, como Sergipe e Alagoas, Acre, Roraima e Amapá. Tocantins poderia se tornar parte integrante do estado de Goiás.
Mas o problema maior se encontra nos municípios. Existe necessidade de 78 municípios no estado do Espírito Santo? Quantos destes municípios conseguiriam sobreviver sem a necessidade de tantos repasses federais? Possivelmente chegaríamos à conclusão de que o estado precisaria de menos do que 20 municípios.
Já em outros estados, algumas cidades possuem problemas diferentes. Por exemplo, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro poderiam muito bem ser divididas em 3 ou 4 cidades diferentes para que tornasse a administração mais simplificada.
É claro que não espero que esta seja uma atitude a ser tomada em curto prazo, mas na possibilidade da convocação de uma nova assembléia constituinte, certamente tentaria encaminhar este tipo de proposta para os parlamentares eleitos para este fim.
Enquanto isto não acontece, vamos aturando municípios deficitários que servem unicamente como cabides de empregos para uma meia dúzia.
