Arquivo de Pensamentos

Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez. (Jean Cocteau)

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quarta-feira, junho 30, 2004

Expectativa de vida

No início da semana, a população da minha casa recebeu a notícia de que meu tio-avô morreu. Essa notícia por si só é chata, já que ele era um sujeito bem bacana e lúcido, no alto dos seus 92 anos, mas o mais chato é ver como a história aconteceu.

Ele morava sozinho em Madureira, no Rio, e resolveu pintar toda a casa. Certamente isso não poderia dar muito certo né? Quando as filhas souberam, levaram meu tio-avô para o hospital com arritmia cardíaca e insuficiência respiratória. E como nessa idade as coisas acabam vindo no atacado, ele teve duas pneumonias durante o período (cerca de três semanas), os rins haviam parado de funcionar e no dia anterior ao seu falecimento ele chegou a ter uma parada cardíaca, mas conseguiu ser reanimado.

Mas certamente é bom saber que ele viveu muito, tanto em quantidade, como em qualidade. Tive pouco contato com ele, mas certamente era uma compania extremamente agradável, com excelentes histórias para contar. É claro que também tinha seus defeitos, não é pq ele morreu que vou começar e "endeusá-lo".

Vez por outra me pergunto quanto tempo devo viver.. Se for metade do que meu tio-avô viveu, sinceramente já estarei muito satisfeito. De forma geral, a qualidade de vida dos homens tem piorado muito à medida que as grandes metrópoles vem evoluindo, mas por outro lado, a ciência tem evoluído de uma forma incrível, aumentando a expectativa de vida da população. Quem conseguirá vencer esta batalha? Os homens em sua capacidade de destruir, e se auto-destruir, ou a ciência em suas descobertas para dar mais expectativa de vida?

Certamente seria bom se pudéssemos dar uma mãozinha para a ciência, e colocar a mão na consciência por um instante. Afinal, de que adianta a ciência nos possibilitar viver mais, se estamos nos destruindo cada vez mais rápido? Do jeito que as coisas andam, a ciência conseguirá nos dar uma sobrevida, mas chegaremos lá numa situação tão caótica que ficará a pergunta: Será que vale a pena?

A verdade é que todo esse avanço da ciência parece nos deixar cada vez mais acomodados. Dia desses ouvi uma pérola em um restaurante mineiro: um sujeito enchendo o prato de torresmo comentou com um colega: "Depois que inventaram essa tal de ponte de safena eu não me preocupo com mais nada.." Num primeiro momento, esta declaração é engraçada, mas será que no fundo não é essa a nossa postura? Nossos antepassados não precisavam de tantos exercícios físicos pois a grande maioria já exercia profissões que exigiam grande esforço. Mas aí a sociedade foi evoluindo, as cidades foram crescendo, algum infeliz inventou o tal do escritório, um outro a cadeira de rodinhas e um outro o tal do elevador. A partir daí a sociedade nunca mais foi a mesma. Passar o dia todo dentro de um escritório, sem precisar subir escadas e nem andar dentro do escritório era tudo o que precisávamos para nos tornar cada vez mais preguiçosos. Até pra ir na padaria da esquina a gente prefere pegar o carro do que ir andando.

é, não tem jeito.. Posso estar até sendo muito pessimista, mas a cada dia me convenço que o homem é um dos piores seres que habitam este lugar.

segunda-feira, junho 28, 2004

Vida longa ao Rock n' Roll?

Hoje eu assisti ao filme "Cazuza - O tempo não pára". Quando o sujeito morreu, eu ainda não tinha idade para ser um grande fã do seu trabalho, afinal eu tinha apenas 9 anos, mas lembro com clareza de toda a emoção de muita gente por conta de sua morte. Alguns anos depois, já entrando na adolescência, descobri pq tanta gente ficou tão emocionada com sua morte. Definitivamente o cara foi um grande gênio, com sua temática muito voltada para o amor, e muitas vezes o sofrimento que eventualmente esse sentimento nos traz, além de suas críticas à sociedade. Enfim, o sujeito tinha uma mensagem a transmitir, e era isso que todos os jovens de sua época ou dos anos seguintes queriam ouvir. Assim como ele, Raul Seixas e Renato Russo também marcaram uma geração, com inúmeros fãs, que podem ser facilmente identificados até hoje. Infelizmente, todos eles já se foram e não deixaram herdeiros.

Qual é a temática do rock n' roll atual? São poucas as bandas que tem alguma mensagem real para passar, como o Rappa. E mesmo assim, os caras perderam muito com a saída do Marcelo Yuka da banda. São poucas as bandas com algum tipo de ideologia. É só ver o caso do pessoal do Charlie Brown Jr.. Pouco tempo atrás eles cantavam que estavam "cagando pra essa p**** de IBOPE", e hoje são apenas "uma banda numa propaganda de refrigerantes".. Quem tem algum tipo de ideologia nos dias de hoje? Só o Planet Hemp, e ainda assim com algo bem duvidoso, mas não vou me enveredar por este assunto agora. Nas entrevistas, sempre que perguntados sobre posições políticas, os caras só respondem com chavões, do tipo "tem que pensar no povo que está sem emprego e sem ter o que comer". Mas cadê as idéias? Cadê as críticas?

É claro que gosto muito de rock.. Ouço essas bandas de hj.. Charlie Brown Jr, Rappa, Detonautas, CPM22, e outras. Mas não tenho como deixar de demonstrar minha insatisfação com a falta de conteúdo da maioria delas (exceção ao Rappa), e fico me perguntando se o rock terá mesmo vida longa se permanecer neste caminho.

Talvez isso esteja acontecendo em virtude de toda essa liberdade que temos atualmente. Cada vez mais, tudo é liberado.. Faltam limites em todos os sentidos. Então, com o que brigar? Contra o que se rebelar? Talvez essa falta de assunto não seja culpa apenas dos artistas, talvez nossa sociedade precise se rebelar contra toda esta liberalidade, e retomar o rumo de alguns limites..

terça-feira, junho 22, 2004

Aposentadoria

Ontem morreu o Leonel Brizola. Quer saber? Vamos parar de hipocrisia né gente.. O cara já foi tarde. Tá certo que o sujeito teve sua importância na política recente do Brasil, mas já tem bem uns 10 ou 15 anos que o sujeito não faz nada para o bem da nação. Só pq o camarada tá comendo capim pela raiz que todo mundo agora vai ficar enaltecendo o sujeito? Fala sério hein!!

Aliás, muita gente poderia aproveitar e pendurar as chuteiras.. Pode ser da mesma forma radical com que o Brizola fez, ou mesmo de uma forma mais sutil, apenas saindo da vida pública. Vamos montar uma breve relação de aposentadorias que faria um bem danado para a nação:

. Paulo Maluf;
. Antônio Carlos Magalhães;
. Fernando Collor (esse deve tentar a prefeitura de Maceió);
. José Carlos Gratz;
. José Inácio;

Esses aí em cima eu fico até em dúvida se os sujeitos tiveram mesmo alguma importância para o Brasil ou para o ES. Mas continuando:

. Xuxa - Essa já deu o que tinha que dar, em todos os sentidos;
. Renato Aragão - Que pelo menos fique apenas cuidando do Criança Esperança, mas desista desse programa ridículo na TV;
. Gugu - Vai cuidar do filho, ninguém nem vai sentir tanta falta assim;
. Faustão - Bom, se o Gugu aposentar, ele já não tem motivo de permanecer na TV.. Além disso, já se encheu de dinheiro para poder fazer sua redução de estômago;
. Cid Moreira - Com suas atrações fantásticas, como o Mister M;
. Chico Anysio - Apesar do passado glorioso, já tem muito tempo que o cara não faz nada interessante, e vive arrumando encrenca com a Globo e outros humoristas;
. Hebe Camargo - Uma velha gagá que se acha a garotona é o cúmulo né?

. Evandro Mesquita - Suas inúmeras tentativas de retomar a Blitz e virar ator já torraram qualquer um;
. Paulo Ricardo - Suas tentativas do RPM já encheram. Além da música do BBB, o cara não produz mais nada;
. Axel Rose - Essas idas e vindas do Guns n' Roses também encheu a paciência;

. Galvão Bueno - o cara não é narrador de coisa nenhuma, apenas um torcedor privilegiado, então que vá torcer de casa e nos deixe em paz!
. Romário - Se der bobeira, vai terminar a carreira no América do Rio mesmo;

A única possibilidade desses indivíduos ganharem novos elogios, é vestindo um paletó de madeira, já que nenhum deles faz nada novo com qualidade há algum tempo.

Talvez eu esteja sendo um pouco forte no tom das minhas críticas, mas não faz mal.. Tenho certeza que se eu morrer amanhã, todos interpretarão estes posts como belas expressões de arte, ou mesmo um grande expoente da filosofia contemporânea, já que depois de morto, todo mundo ganha e muito em importância para a humanidade.

segunda-feira, junho 21, 2004

Teoria Econômica

Antes que comecem a se desinteressar por conta do título, tentem ler pelo menos um pouco. O assunto não agrada a todos, mas a hipótese é no mínimo interessante.

Minha tese de baseia em duas questões:

1. Muita gente (de esquerda) defende que a dívida externa não deve ser paga, para que possamos investir nos problemas internos, muitas vezes até usando o argumento de que a dívida é impagável. Realmente, a situação anda bem delicada.. Toda semana os noticiários informam o superávit da balança comercial, o valor acumulado no mês e no ano, e qual o percentual do PIB que está "superavitário". O problema é que esse superávit anunciado é o primário, que despreza os juros nesta conta. Apesar da conta ter terminado acima do acordado com o FMI no último ano, se aplicado o valor dos juros sobre nossa dívida, a dívida total aumentou em quase 8 bilhões de dólares.. Isso mesmo, apesar de todo o esforço para poupar, quando tentamos pagar os juros, vimos que na verdade a dívida aumentou. Essa situação deve ser conhecida de muitos de nós, que estamos nesses dias de aperto.
Muitos economistas acreditam que um afrouxo nessa busca incessante por superávit daria condições de maiores investimentos nas questões sociais. Então como sair dessa questão? Pagar a dívida para manter a dignidade externa e futuramente conseguir resolver os problemas internos, ou dar um calote na dívida externa para resolver os problemas internos, correndo o risco de não conseguir resolver os problemas e ainda ficar sem crédito?

2. Muito se fala sobre os efeitos da globalização, que está diminuindo a distância entre as pessoas, e tornando as empresas mais próximas de outros mercados. O medo que as grandes empresas das grandes nações industrializadas acabe por destruir as pequenas empresas locais de países menos desenvolvidos, como o Brasil. As empresas com maiores possibilidades, podem entrar no mercado oferecendo uma concorrência predatória, para levar os concorrentes à falência, para em seguida ter todo o mercado.
Para evitar este tipo de ação, uma das práticas mais antigas é a cobrança de impostos para que os produtos importados entrem no país. Porém com a criação dos grandes blocos econômicos, a tendência é que estes impostos desapareçam, o que faria com que o preço dos produtos importados se aproximasse dos produtos locais, e oferencendo maior qualidade. Como as nações em desenvolvimento irão se comportar dentro desta nova realidade?

De acordo com as teorias tradicionais, com o calote da dívida, todas as demais nações suspenderiam suas negociações com o país, mas por outro lado, a abertura das fronteiras iriam atrair diversas empresas estrangeiras. E aí? O que vai falar mais alto num caso desses? Com certeza vai ter muita gente de olho grande num mercado do tamanho do brasileiro sem qualquer tipo de restrição, então duvido muito que qualquer tipo de bloqueio econômico vá muito adiante. De mais a mais, quem nunca precisou anistiar uma dívida alheia, seja por bem, ou seja por mal?

Como eu gostei dessa história de terminar post com letra de música, aí vai um Plano B, para a remota possibilidade deste plano principal não dar muito certo:

Aluga-se
(Raul Seixas)

A solução pro nosso povo eu vou dar

Negócio bom assim ninguém nunca viu

Tá tudo pronto aqui

É só vir pegar

A solução é alugar o Brasil!

Nós não vamos pagar nada

Nós não vamos pagar nada

É tudo free, tá na hora

Agora é free, vamo embora

Dar lugar pros gringo entrar

Esse imóvel tá prá alugar



Os estrangeiros, eu sei que eles vão gostar

Tem o Atlântico, tem vista pro mar

A Amazônia é o jardim do quintal

E o dólar deles paga o nosso mingau

terça-feira, junho 15, 2004

A maldade humana

Talvez uma das maiores besteiras inventadas pela humanidade é essa história de que o homem é essencialmente bom. Será que é tão difícil assim enxergar a realidade? O homem é mau, talvez o pior dos seres que habita esse planeta, e ele precisa realizar um esforço incrível para criar uma fantasia de bondade em torno de si. Será que vale a pena ficar se enganando?

Já conversei com algumas pessoas a respeito, e fiquei impressionado como esse pensamento choca as pessoas. Nós nascemos ouvindo aquelas histórias de que o homem é bom, que um neném é um ser puro e angelical e coisas do tipo. Já ouvi várias vezes que "a sociedade é que corrompe o homem".

Se isso fosse verdade, por que quando algum de nós dá bobeira com o rosto perto de um neném de 6 meses ou menos, ele vai nos dar um tapão na cara e ficar rindo depois? Parece que dá pra ler nos seus olhos algo como "viu mané, dá mole aqui perto pra você ver o que acontece! quem manda no pedaço sou eu!". Qual a diferença dele para um mega-traficante que comanda um morro no RJ? Apenas que o traficante possui muito mais armas para poder falar/pensar isso com tranquilidade.

Será que essa linda figura angelical já foi tão corrompida assim pela sociedade? Nessa idade o menino mal tem contato com os pais e alguma visita eventual de poucos minutos de parentes ou amigos dos pais, e ainda assim sempre naquele lenga-lenga de "que gracinha" pra cá, de "guti-guti" pra lá.

Então o tempo passa mais um pouco e finalmente esse menino aprende a falar. Quanta dificuldade pra fazer o menino falar o nome dos pais ou dos avós, mas quanta facilidade para aprender aquele palavrão e matar os pais de vergonha!

Mais um ano se passa e o moleque vai demonstrando outra grande característica da maldade humana: O egoísmo. Esta característica aliás, é a mãe de todos os outros pecados. Todas as mazelas que afetam a vida do homem são derivadas do egoísmo. A necessidade de querer sempre mais para si, te tirar vantagem em tudo, e querer sempre se dar bem a qualquer preço. Que menino nunca teve dificuldade para emprestar o brinquedo preferido, ou oferecer um pedaço daquele sorvete gostoso? Isso pra não falar da facilidade que os meninos tem em arrumar confusão, seja com quem for. E o prazer incontrolável de dar uma gargalhada quando alguém cai ou tropeça? Será que o menino aprende isso em algum lugar, ou é a mesma manifestação do neném que nos deu um tapa na cara lá no terceiro parágrafo?

Creio que nem é necessário falar das características da maldade humana entre jovens e adultos né? Qualquer auto-análise é capaz de nos mostrar isso. Mas existem outros fatos que podem nos mostrar como nós somos os piores seres deste cantinho do universo:

1. Necessidade de desenvolver a solidariedade, generosidade e derivados - Existem várias campanhas para incentivar a participação em programas de ajuda ao próximo, e todos nós reconhecemos a dificuldade que temos para participar. Sejam estas campanhas quais forem: Colaboração com dinheiro, brinquedos para crianças, alimentos, livros, sangue, órgãos. Se o ser humano fosse realmente bom como insistimos em nos auto-entitular, será que essas campanhas seriam mesmo necessárias?

2. A pouca importância que damos ao equilíbrio com o meio ambiente. Achamos o discurso muito bonito, mas o que cada um de nós faz para melhorar o ambiente em que vivemos? São poucos os consumidores que procuram eletrodomésticos com especificações menos agressivas à natureza. Estamos mais preocupados com o nosso bolso do que com o ambiente em que vivemos. Que tal organizar boicotes contra empresas reconhecidamente poluentes? Vivemos esperando que o estado faça alguma coisa pelo ambiente, mas não somos capazes de pegar/oferecer uma carona ao vizinho que vai para o mesmo destino, de forma que tenha um veículo a menos circulando, em nome de uma maior comodidade, ou sob o pretexto de uma maior privacidade. Se observarmos o trânsito, poderemos verificar que a maioria dos veículos transitam com um único sujeito lá dentro. Se houvesse uma utilização mais racional dos veículos, poderíamos ter um ambiente menos poluído e um trânsito menos caótico. Seria tudo de bom, né? Mas nosso egoísmo não nos deixa tomar uma atitude dessas. Indo um pouco mais além, o homem é o único ser de toda a cadeia alimentar capaz de matar sem que esteja com fome ou para se defender.

3. Por que programas como Ratinho, Márcia, Cidade Alerta (e outros do gênero) fazem tanto sucesso? Programas que somente exploram a desgraça dos outros, num voyeurismo sádico, onde esquecemos que se tratam de outros humanos em situações ultrajantes. Nos divertimos tanto com vídeo-cassetadas e pegadinhas, sem nos preocupar com as conseqüências sofridas pelos protagonistas das cenas mais bizarras do planeta. ah, outra coisa que não deve ser descartada: O que leva pessoas a se expor desta forma nesse tipo de programa??

4. Este ponto talvez reflita o clímax da nossa maldade: Quando acontece algum acidente, vamos usar um atropelamento como exemplo, o que te leva a ficar lá parado olhando o desenrolar dos fatos? Por mais que muitos ali fiquem com cara de dor, ou pena, o que acontece na realidade é que todos sentem um certo prazer em estar ali, presenciando a cena, fantasiando os fatos sempre que outro curioso idiota vem perguntar o que houve. Afinal, se estar ali não fosse prazeiroso, por que tanta gente fica em volta sem esboçar a menor ajuda ao acidentado? Em que essas pessoas estão ajudando? Aliás, algumas pessoas com menos desconfiômetro fazem questão de fazer um círculo em volta do acidentado para poder atrapalhar a respiração do pobre coitado que está ali.

Por enquanto são esses os pontos que eu tenho para expor, mas certamente muitos possuem outros argumentos e exemplos para enriquecer este raciocínio. Se eu lembrar de mais alguma coisa, depois eu vou acrescentando com os comentários ao post.

Desta vez eu vou concluir o post de uma forma diferente, colocando uma música que ajuda a ilustrar esse pensamento:

Metrópole
(Legião Urbana)

"É sangue mesmo, não é mertiolate."
E todos querem ver
E comentar a novidade.

"Ó tão emocionante um acidente de verdade."
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:

"- Vai passar na televisão."

"Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha, não tem atendimento
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor."

"- Todos com a documentação"

"- Quem não tem senha, não tem lugar marcado.
Eu sinto muito, mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver."

Ordens são ordens.

"- Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
P'ra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira
E agora eu já vou indo senão eu perco a novela

E eu não quero ficar na mão."

segunda-feira, junho 14, 2004

Exército nas ruas

A última moda dos governos estaduais é solicitar apoio do exército para controlar a segurança nas cidades. Começou com o Rio de Janeiro, e seu caos que não tem fim. Depois Minas Gerais e agora o Piauí. Estes dois últimos, a solicitação foi feita devido à greve das polícias militar e civil.

Algumas coisas me preocupam nessa história:

1. O exército não é treinado para este tipo de operação. Posso até estar equivocado, uma vez que não servi ao exército (sem piadas dos tipo "nem pra isso vc serve, hein.." por favor), mas pelas histórias que ouço, o objetivo de um soldado do exército, é defender a nação contra invasores inimigos, e sempre que necessário (se bobear, até sempre que possível) matar os inimigos. Não que eu veja algum problema em matar algum delinquente que foi pego em flagrante, muito pelo contrário, mas fico imaginando a situação do infeliz do soldado que deu o tiro. Afinal, certamente não vai sobrar para os superiores dele, nem para o incompetente do governador que precisou solicitar ajuda do exército. Nestas situações a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco.

2. A incompetência dos governantes que não são capazes de manter os serviços básicos da população em um nível aceitável. A incompetência não necessariamente deve ser atribuída ao atual governante, já que esta situação se arrasta há anos, nas diferentes esferas da administração pública. Cada vez se pede mais verbas, além das ordinariamente concedidas pelos governos, mas apesar disso, o rombo é cada vez maior. No caso específico dos policiais, os indivíduos recebem um salário de fome, não possuem condições adequadas de trabalho, estão em número insuficiente para conter a escalada da violência. Não é de se espantar que com este quadro, uma meia dúzia se converta à banda pobre. Apesar de que nada justifica este tipo de ação. A grande pergunta é: para onde vão essas verbas concedidas?

3. Sindicatos fora da realidade, pedindo reajustes comletamente absurdos. Conheço pelo menos uma meia dúzia que tem a cara de pau de pedir reajustes acima de 100%. bom, vou economizar meus "elogios" aos sindicatos, limitando a chamá-los de alienados.

4. O próprio exército não está bem preparado. Quem nunca assistiu uma reportagem sobre os problemas financeiros que o exército brasileiro tem enfrentado? Dispensa de recrutas, diminuição das vagas e/ou carga horária. Então será que esses caras são mesmo os salvadores da pátria?

Voltando ao primeiro ponto, qual será a reação de todos depois que um soldado matar algum inocente? A história recente nos mostra que todos vão sair em defesa do marginal, deixando o soldado completamente vendido na história. Talvez o caso mais recente seja daquele sujeito que sequestrou um ônibus no Rio, cuja história virou até filme.

Falar em direito humanos num caso desse me parece piada. Em casos de flagrante, não tenho muita pena desses caras não. Se puder resolver sem matar o indivíduo, melhor que seja assim. Mas usar o cara para dar o bom exemplo não chega a ser uma idéia muito ruim, afinal, se o cara foi pego em flagrante, a possibilidade de cometer algum equívoco é praticamente nula né? Quando algum policial mata algum delinquente, todos se comovem e gera toda uma repercursão. Mas quando um marginal mata um policial, aparece apenas uma nota num canto da página policial dos jornais locais, e não gera nenhum tipo de comoção nacional.

Estou muito curioso sobre a reação destes líderes que estão solicitando o exército nas ruas quando acontecer algum acidente que fira ou mesmo mate algum civil inocente. Vamos ver até onde vai este modismo do exército nas ruas.

quinta-feira, junho 10, 2004

Feriado na Quinta

Feriado na 5a só não é pior do que quando ele cai na 4a feira.. Especialmente quando estou todo enrolado no trabalho, como agora. Eu cheio de coisa pra fazer e me aparece um feriado assim. Além do trabalho na 5a ficar meio prejudicado, a 6a feira também fica meio esquisita. Pretendo trabalhar amanhã, mas certamente vou me dar a folga de dormir um pouco mais, e também não vou ficar até tarde, como faria em um dia útil. Só espero que a 6a feira não seja muito prejudicada com essa quebra de ritmo.

Pra ser bem honesto, eu acho que poderia haver um acordo nacional para que sempre que o feriado caísse entre 3a e 5a, que fosse transferido para a 2a ou 6a feira. Além disso, poderia ser revista a quantidade de feriados existentes. Isso é típico de nação sub-desenvolvida. Todo mundo acha o máximo quando tem um feriado assim e não se dá conta do quanto que o país perde com isso.

Temos feriados em quase todos os meses do ano, pra não falar dos meses que acabam acumulando feriados, como Abril. Em geral a Páscoa cai nesse mês, o feriado de Tiradentes tbm e aqui em Vitória ainda tem a Festa da Penha. Isso pra não falar de outro feriado logo no 1o de maio.

O pior de tudo é que muitas vezes as pessoas não faz a menor idéia do motivo do feriado, tirando o carnaval, é claro. Tente fazer uma enquete para a maior parte da população sobre quem foi Tiradentes e sua importância para a história da nossa nação, ou mesmo sobre a Paixão de Cristo e muita gente não vai saber responder. O feriado de 7 de Setembro já faz muito tempo que ninguém dá o devido valor cívico. Quem é que vai assistir o desfile, ou pelo menos acompanhar pela TV?

Se for pra manter os feriados, que pelo menos exista uma conscientização do motivo da celebração. O que se comemora no Corpus Christi, por exemplo? Pq isso foi tão importante? Seria uma pesquisa interessante a ser realizada, e eu ficarei muito surpreso de um percentual superior a 20% saiba a resposta.

Certamente as pessoas que mais gostam de feriados são aquelas que não sabem muito bem a origem da data, e também são aquelas que só fazem reclamar dos problemas que o país enfrenta, mas não enxerga que este dia que ela fica parada custa milhões para o Brasil. O que vale é a Lei de Gérson, onde cada um tenta se dar bem. É claro que é muito bom poder descansar um pouco, mas será que não seria mais importante mudar a data do feriado para a 5a feira e ainda reduzir um pouco a quantidade de feriados, para que o país possa manter a produção?

Essa falta de cultura e visão das pessoas é algo que precisa ser tratado com urgência, para o bem de nosso país. Mas não vou me estender muito, para não parecer que é só reclamação de um sujeito que vai trabalhar em pleno feriado.

Por hoje é só, pessoal!

terça-feira, junho 08, 2004

O 4o poder

Ontem terminei de assistir o documentário "Tiros em Columbine", do Michael Moore. O documentário trata do episódio em que dois adolescentes mataram vários alunos (14 ou 19, agora eu não me lembro bem do número) e dois professores em uma escola americana e em seguida se mataram.

Em determinado momento do documentário, o "Mike" especula sobre a origem de tanta violência com armas de fogo nos EUA, que possui o índice mais alto deste tipo de incidente entre todas as nações industrializadas do mundo. Se for verificar a história de guerras, existem outras nações, como a Alemanha, com um passado tão recheado de violência como os EUA. A quantidade de armas existentes também não é o motivo, uma vez que o vizinho Canadá possui 7 milhões de armas em 10 milhões de residências. Uma possível conclusão a respeito disto, é a influência da imprensa, uma vez que os noticiários americanos dão muita ênfase a este tipo de "notícia".

É inegável a influência da mídia sobre a maioria da população, basta ver a quantidade de pessoas que apesar de odiar o Galvão Bueno, no dia seguinte está repetindo seus comentários sobre os mais diversos esportes que o sujeito costuma narrar. O mesmo vale para comentários políticos e econômicos, ou mesmo a influência de pesquisas eleitorais às vésperas de eleições.

Considerando esta influência, fica a pergunta no ar: Será que não estamos enfrentando os mesmos problemas em nosso país? Não é incrível a proliferação destes programas que fazem o sangue pingar da TV? Até a Rede Globo tem um programa neste sentido - Linha Direta - que é o menos apelativo de todos, mas também só exibe desgraça. Se esses programas não fizessem sucesso, certamente não teriam se espalhado como uma praga entre tantas redes de TV. É um tal de fulano que matou a ex-esposa, o filho, a sogra e depois se matou. Um outro que matou um sujeito no boteco por causa de cinquenta centavos, ou então um motorista bêbado que matou trocentas pessoas numa calçada. Se esta teoria o Michael Moore estiver correta, o futuro da nossa nação é muito sombrio.

Mas a TV brasileira não se resume apenas a programas que jorram sangue pela telinha. Existem também os programas de barraco, os Ratinhos da vida, as Márcias e tantos outros que vivem de explorar o drama de pessoas pouco instruídas que passam por momentos de dificuldade. Se realmente existe alguma vontade de ajudar alguém nesses programas, pq tanto interesse em estender um drama à medida que o IBOPE vai aumentando? E pq tanta gente assiste a esses programas? Na verdade, ninguém nunca assiste este tipo de programa, o que acontece é que "eu estava passando pelos canais quando eu vi que..." ou então "A TV estava ligada e eu estava indo na cozinha beber água.." ou ainda "ah, tem gente lá em casa que gosta, e eu acabo ouvindo o que está acontecendo". Ninguém nunca tem coragem de assumir que assiste este tipo de coisa.

Isso pra não falar de programas como Faustão, Gugu, Raul Gil e outros que exploram ainda a sexualidade no meio da tarde dos fins de semana, e outras baixarias. Os fins de semana também contam com os programas humorísticos mais sem graça e apelativos da TV. Desde quando humor é exibir meia dúzia de mulher praticamente sem roupa e dois ou três pseudo-humoristas contando as piadas mais velhas da face da terra?

Enquanto isto, sujeitos como Serginho Groismann ficam limitados a um horário na madrugada de domingo, o Marcelo Tas continua na TV Cultura, que é excelente, mas não tem tanta audiência como os outros canais. Estes são dois dos maiores gênios da TV brasileira na atualidade. São comunicadores natos, possuem um carisma incrível com os jovens, porém são deixados de lado, em horários ou redes de TV alternativas.

A julgar pela programação do 4o poder, nosso futuro não é muito promissor.. Acho que seremos eternamente o país do futuro, nossa hora nunca vai chegar.

domingo, junho 06, 2004

Diferenças entre gerações

Hoje tem mais uma prova de que estou ficando velho: Vou comparar minha adolescência com a dos "meninos" de hoje. Na verdade, nem tem tanto tempo assim, afinal são apenas 10 anos que nos separam, mas as diferenças são enormes.

Há 10 anos atrás, eu estava no alto dos meus treze anos. Naquela época, só tínhamos poucas opções de badalação, sendo que a principal delas sem dúvida eram as festinhas americanas com os colegas de escola. O início era sempre por volta das 19:30, e os meninos levavam os refrigerantes, as meninas levavam os salgadinhos. Antes de conseguir a autorização para a festa, os pais ligavam para os pais do anfitrião para ter certeza do que se tratava, e só então poderíamos ir. O horário de fim, os mais jovens certamente ficarão assustados: 22:00 para as meninas e 22:30 para os meninos. E não podemos esquecer do ponto alto da festa, a famosa dança da vassoura. Nessas festinhas rolava muita azaração, mas no fim ninguém ficava com ninguém.

As outras opções eram a domingueira KGB do Libanês, que terminava à meia noite, ou conseguir entrar em algum show, cuja censura era 14 anos. Essa sem dúvida era a opção mais emocionante, já que a tensão para conseguir passar pela segurança era enorme. O show era o que menos importava. Grande parte da emoção estava na fila para entrar e burlar a segurança.

Os meninos de hoje já possuem muito mais malandragem, pois enquanto na minha época os meninos no máximo conseguiam dançar abraçados com as meninas, os moleques de hoje já estão até produzindo filhos. Eles saem de casa no horário em que nós costumávamos sair. Isso pra não falar na quantidade de moleques que fumam e bebem que nem umas esponjas. Além disso, muitas vezes os pais não fazem a menor idéia de onde o filho está. Uma coisa que ameniza um pouco é que hoje os adolescentes possuem telefone celular, coisa que não existia na nossa época.

As músicas que as crianças ouvem hoje em dia são as mesmas que os adultos costumam ouvir, o que já dá pra deduzir que as coisas não estão muito boas.. Funk do Jonatan (aquele que tem 8 anos e já vai pegar um filé com popozão), as meninas que dançam na boquinha da garrafa em plena cadeia nacional, enquanto os idiotas dos pais estão todos orgulhosos vendo esta cena deprimente ou então cantam Kelly Key e suas letras que ensinam como devem tratar os homens. Os pais devem se sentir aliviados quando os meninos ouvem Sandy e Júnior. Na nossa infância, tínhamos direito a Vinícius de Moraes (Arca de Noé 1 e 2, Casa dos Brinquedos - esses eu tenho até hoje!), Balão Mágico, Trenzinho da Alegria. Comparando com o que os moleques ouvem hoje, eu sinto saudade até mesmo da Xuxa.

Com certeza os pais de hoje são bem mais liberais do que na minha época, o que se não for feito na dose certa, pode levar a um certo descontrole sobre os filhos. Uma boa prova disto é a falta de respeito que alguns filhos demonstram sem que os pais esboçem qualquer tipo de repreensão. Parte disso é culpa desse bando de psicólogo que prega que os pais não devem reprimir os filhos. Nunca vi balela tão grande. Certamente uns tapas ajudam bastante na educação, se aplicados na dose correta. E única vez que eu inventei de xingar minha mãe, eu levei um tapa na boca que nunca mais sequer pensei em fazer isso de novo. Hoje em dia, as crianças falam cada atrocidade dos pais, que eu não sei se tenho vontade de acertar uma no guri, ou nos pais que não fazem nada.

Até mesmo em virtude desta pasmaceira dos pais, eu tenho a impressão que o problema dos dias de hoje não é culpa das crianças e adolescentes, mas sim dos pais que estão cada vez mais negligentes com os filhos. É mais fácil matricular os filhos em um monte de curso, do que abrir mão de um tempo em sua agenda para educar o próprio filho.

As coisas estão desse jeito não é à toa. Estamos colhendo apenas aquilo que estamos plantando, mas o que mais me assusta é pensar como estarão as coisas daqui uns 10 anos. Esse futuro me parece bem sombrio..

sexta-feira, junho 04, 2004

Careca

É pessoal, tá ficando cada vez mais visível.. A tal da genética é mesmo implacável. Me refiro à minha tendência à calvície. Hj foi a vez do pessoal da universidade vir tirar uma onda por conta das minhas entradas, cada vez mais visíveis. Os comentários da noiva e da família já nem incomodam tanto, mas tem cada vez mais gente falando sobre o assunto, o que me leva a crer que a situação está ficando crítica.

O pior de tudo, é que todo mundo costuma implicar com as entradas pela testa, mas onde o problema é mais crítico está na nuca, onde já tem uma coroinha se formando ali.. O tão famoso redemoinho, que todos os mortais possuem já está pouco a pouco se transformando em um deserto, indo de encontro às entradas da testa, que também se tornam cada vez maiores. No ritmo que está, já me dou por satisfeito se chegar aos 30 anos com cabelo.

A natureza é mesmo implacável nessas horas.. Todos os meus tios por parte de mãe tem o problema da calvície, e mesmo meu pai, que não é calvo, tem o problema das entradas na testa. Eu sempre imaginei que teria o mesmo problema, apesar de haver sempre um fio de esperança, mas o que eu nunca imaginei é que isso fosse começar tão cedo.

Mas não vou tentar fazer nada para esconder essa situação não. Atualmente eu já costumo raspar o cabelo (com máquina 4), então quando a situação se tornar crítica, eu devo reduzir o número da máquina e assumir completamente o visual Cojac.

De consolo, só me resta a boa e velha marchinha de carnaval "é dos carecas que elas gostam mais". Só torço para que a Talita se encaixe neste padrão..

quinta-feira, junho 03, 2004

Futuro Catastrófico

Tem dias que faltam assuntos, como nos dois últimos dias, mas pra compensar, tem outros que tem uma vasta opção de escolha, como hj.. Enfim, coisas da vida. Tive que escolher um que achei mais apropriado para o momento, vamos ver se o desenrolar do pensamento fica interessante.

Li hj no GazetaOnline que tem previsão de chuvas fortes, ventos e até mesmo granizo para o ES e MG nos próximos dias. Esse tempo tá ficando muito louco mesmo.. Até uns dias atrás ninguém nunca tinha ouvido falar em ciclones no Brasil. Depois que o tal Catarina passou por essas bandas, já ouvimos na formação de mais um ou dois ciclones com características semelhantes, porém com pouco menos intensidade.

Aqui no ES, o tempo anda meio esquisito.. Num dia faz um calor danado para no fim do dia cair um temporal de deixar toda a cidade embaixo d'água. Tá certo que a má vontade (ou má fé) e incompetência dos políticos torna as coisas um pouco piores, mas de toda forma, a quantidade de água que tem caído numa única tacada tem sido algo impressionante.

Vez por outra nos deparamos com exemplos de mudanças climáticas inesperadas, o que me leva a crer que tem sido a revanche da natureza. Já tem tanto tempo que a gente tem buscado o tal progresso a todo e qualquer custo, sem se preocupar com a natureza. O pior de tudo, é que ainda temos a arrogância de afirmar que estamos no topo da cadeia. Será que isso é verdade? Todos os animais são capazes de entrar em equilíbrio com a natureza, menos nós, os tão importantes e arrogantes seres humanos. Isso parece muito mais uma característica de quem está na base da cadeia, ou melhor ainda, de quem está fora da cadeia. Será que é este mesmo nosso lugar? A gente não consegue se adaptar à vida por aqui, sem destruir tudo (e todos) que nos cercam.

Gosto muito de filmes, apesar de poucos serem capazes de me impressionar, mas uma passagem que certamente não me sai da memória é a seqüência de Matrix (o primeiro!) onde o Morpheu está preso no alto de um prédio e o Agente Smith tenta invadir seu cérebro. Esta cena é pouco antes do Neo chegar com o helicóptero. Ali o Agente Smith diz que os humanos não são capazes de viver em harmonia com o resto do mundo. Eles vão para um lugar, extraem tudo o que aquele pedaço de terra é capaz de oferecer e em seguida mudam para outro local, sem o menor critério para também destruir tudo. E completa dizendo que existe apenas um outro ser vivo que possui um comportamento semelhante, que é o vírus. Isso mesmo, somos um vírus neste planeta, e não o topo da cadeia, como costumamos nos colocar.

Que outro ser comete tantas atrocidades contra seus semelhantes? Que outra espécie consegue provocar tanta desgraça para o meio onde vive? Quem mais, além desta raça infeliz necessida de protocolos de Kyoto, e mesmo assim, o sub-grupo que mais agride o meio é capaz de fechar os olhos para este problema?

O que mais dói é ver a ignorância de tanta gente que vê essas mudanças acontecendo, e ao invés de ficar alarmado, fica feliz por dias com a temperatura fora do normal durante as estações do ano. Aqui em Vitória choveu por boa parte do verão, e muitos ficaram felizes por isto ter amenizado um pouco do calor. Outros acham bom um dia de sol forte no meio do inverno, para quebrar um pouco do frio da estação. Será que isto é tão bom assim, ou é apenas mais um alerta da natureza sobre a quantidade de besteiras que estamos fazendo com o planeta?

Ainda não assisti "O Dia depois de Amanhã", mas espero que o filme sirva de alerta para o caos que podemos gerar se na for feito a respeito. Este pedaço de universo não é como o quarto de brinquedos de um moleque rico, onde se pode fazer a bagunça que quiser e depois vem alguém para arrumar depois.

Termino citando Raul Seixas: "Pare o mundo que eu quero descer!"